Este blog está em Pause até que alguém carregue no Play novamente.
Domingo, 11 de Outubro de 2009
Quarta-feira, 30 de Setembro de 2009
Aceitam-se apostas!
Depois da comunicação de Cavaco Silva ao país acerca do "caso das escutas" e com a actual conjuntura político-partidária, quanto tempo se manterá o governo de José Sócrates no poder sem que as relações entre os vários intervenientes azedem irremediavelmente?
Publicada por
Pedro Tomás
às
10:05
1 comentários
Sábado, 26 de Setembro de 2009
Por uma vez fez-se justiça. Será que foi suficiente?
Maria ficou radiante quando soube que estava grávida. Era o seu segundo filho. Por isso foi com imensa alegria que transmitiu as boas novas a António, o seu marido. Ele não podia ter ficado mais feliz.
Estava grávida há quatro semanas e estava na altura da primeira consulta de obstetricia. No dia marcado dirigiu-se ao hospital. Depois do questionário inicial o médico dirigiu-a para o aparelho de ecografia. Ao iniciar a análise verificou algo estranho: o embrião estava ligeiramente mais pequeno do que devia para as quatro semanas de gestação. Por isso, seguiram-se um conjunto de recomendações: muito cuidado nas movimentações, dieta rigorosa e um aviso de que, após nova observação passado um mês, poderia ter que permanecer o resto da gravidez de baixa, por esta ser considerada uma gravidez de risco. O médico falou ainda da possibilidade do subdesenvolvimento do embrião poder originar problemas na criança após o parto, nomeadamente deficiências que poderiam ser de índole variada.
Maria ficou preocupada. A ideia de que a gravidez podia ser de risco assustava-a imenso. Pensar que aquela vida, gerada no seu ventre, podia ter complicações e deficiências deixava aterrorizada. Não sabia se se sentia preparada para uma situação dessas, por isso rezou para que tudo corresse bem.
António estava igualmente preocupado com a possibilidade de haver complicações com o embrião. Mas nenhum deles estava preparado para o que iria acontecer.
- Temos um problema. – disse o médico na segunda consulta – O embrião não cresceu, aliás diminuiu. Isto não é nada bom. Vou ver os batimentos cardíacos.
O médico procurou e procurou pelos sinais vitais do embrião mas não encontrou nada.
- Lamento informar-vos mas o embrião morreu. – disse o médico tentando simular simpatia.
Maria e António ficaram mudos com o choque. Não podiam acreditar. Maria desatou a chorar enquanto António a abraçava, contendo as lágrimas. O médico deu-lhes espaço.
- Vou deixar-vos um pouco sozinhos e já volto – disse, abandonando a sala de observação.
- Silva, posso pedir-te a tua opinião num caso que tenho em mãos? – o médico aproveitou a passagem de um colega no corredor, para lhe pedir a sua opinião.
Silva era um médico experiente, trabalhava há anos no serviço de obstetrícia e neonatologia. Anuiu e Luís começou a explicar.
- Tenho um embrião com 8 semanas que há quatro semanas já apresentava crescimento diminuído. Não apresenta sinais vitais e está ainda mais pequeno que na primeira consulta. Achas que devemos fazer o aborto aqui ou em casa da paciente, com os comprimidos para a expulsão?
- Bom, a minha opinião é de que deve ser feito aqui. Pode haver complicações para a mãe e aqui podemos acompanhá-la. – disse Silva.
- Mas em contrapartida estamos em contenção de despesas e isto traria um custo acrescido ao departamento. – contrapôs Luís.
- Faz como achares melhor, mas eu acho que seria mais seguro fazer o aborto com acompanhamento hospitalar por causa das eventuais complicações. – disse Silva.
- Não há nada a fazer senão fazer um aborto. – disse Luís, dirigindo-se a António, na sala de consulta.
- E como é que isso se processa? – perguntou António, ainda em choque.
- Bom, para oito semanas de gestação não é preciso fazer um aborto no hospital. Está aqui uma receita de comprimidos para a expulsão do embrião. – disse o médico, entregando a receita a Maria - Cerca de duas horas após a administração dos comprimidos vai sentir contracções ligeiras e a expulsão dar-se-á naturalmente.
- E isso não é arriscado? – perguntou António.
- O risco é mínimo. E caso haja alguma complicação podem dirigir-se ao hospital.
Maria e António dirigiram-se então a casa, relutantes.
Em casa, Maria administrou os comprimidos. Descansou durante uma hora na sala de estar e não sentiu rigorosamente nada. Passaram duas horas e nada. Passadas três horas começou a sentir repentimente dores fortes, como se fossem as contracções de um parto. As dores aumentaram ainda mais e António foi a correr ter com ela. Deu-lhe a mão que Maria apertou com toda a força enquanto António se questionava se aquilo seria normal. As dores eram lancinantes. Tal como num parto normal, as contracções aumentavam de intensidade enquanto se tornavam cada vez menos espaçadas. Foram trinta minutos de horror até que o embrião foi finalmente expulso.
António olhou para o pequeno embrião e as lágrimas surgiram-lhe nos olhos. Aquele pequeno embrião seria o seu filho, se a sorte não lhes tivesse pregado uma rasteira. Perguntou a Maria se queria vê-lo, mas ela disse que não, pois não queria ficar com aquela imagem gravada na sua memória para sempre. Já era suficientemente doloroso passar pelo processo de um parto sem apoio médico e com um desfecho que não era o nascimento de um novo ser, o nascimento do seu filho.
Mas o processo não ficou por aqui. Maria começou a sangrar abundamente e a hemorragia não parava. Assustado, António pegou nela e levou-a de imediato para o Hospital. Em vão. Mesmo com transfusões de sangue, a hemorragia não parou. Maria acabou por falecer às 23:44.
António entrou na sala de audiências e esperou pacientemente. Juntou-se-lhe o seu advogado. No lugar do réu, a administração do hospital e o médico, Luís Sousa, que tinha ditado o aborto em casa, sem qualquer tipo de assistência hospitalar. Era a última sessão, em que se anunciava o veredicto.
A sala de audiências estava cheia e era enorme. Toda forrada a madeira, com duzentos e trinta lugares sentados, um tecto altíssimo. O meirinho fez anunciar a entrada do Juíz. Ele era alto, robusto, aparentava ter uns cinquenta e quatro anos e a sua toga ainda lhe dava um ar mais imponente.
À entrada do Juíz todos se levantaram, até este assumir a sua posição e o meirinho os mandar sentar de novo.
A sentença foi de leitura rápida.
“No caso António Martins vs Luís Sousa e Hospital da Santa Mercê ficou provado através do depoimento do Dr. Silva que o médico Luís Sousa sabia dos riscos que corria ao mandar a paciente para casa proceder a um processo de aborto que podia acabar muito mal, tal como se verificou. Por essa razão condenamos o réu a quatro anos de prisão efectiva por um crime de negligência grosseira em acto médico. Condenamos ainda o Hospital da Santa Mercê ao pagamento na totalidade da indeminização pedida pelo Sr. António Martins, por danos psicológicos e pela morte da sua esposa, Maria Martins”
A audiência foi concluída e várias pessoas vieram felicitar António. Mas nada, nem a indeminização nem mesmo o sentido de que foi feita justiça podiam trazer de volta a mulher que tanto amava.
Publicada por
Pedro Tomás
às
15:24
1 comentários
Etiquetas: Pequenos Contos
Quarta-feira, 23 de Setembro de 2009
Somos uns sortudos!
Segundo um relatório de Bruxelas, Portugal tem das comissões bancárias mais baixas dos 27.
Com um título destes ficaríamos felizes, não fosse o facto de o mesmo relatório referir que Portugal encaixa no perfil em que a estrutura de preços das contas correntes é "muito opaca, o que torna quase impossível para os consumidores saberem quanto pagam e comparar as várias ofertas".
Podemos, pois, esperar que a banca aumente as comissões num futuro próximo. Já o mesmo não se poderá dizer, muito provavelmente, sobre a transparência da informação dada aos clientes!
Publicada por
Pedro Tomás
às
09:13
1 comentários
Terça-feira, 22 de Setembro de 2009
A saída da crise
Estou neste momento a ouvir o tempo de antena do PS na Rádio Comercial. Dizem que as medidas do governo PS fizeram com que Portugal fosse um dos primeiros países da UE a sair da pior crise dos últimos 100 anos. Claro, todos os indicadores dizem isso...
Publicada por
Pedro Tomás
às
11:46
1 comentários
Etiquetas: Política